sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Problema de identidade, você disse? Cosplay é muito mais que sua capacidade pode alcançar


Cosplayer, quem é você?

Qual seria a resposta para esta pergunta durante um evento onde você está de cosplay tirando fotos, selfies, gravando vídeos e, porque não, dando entrevistas.

"Sou o Naruto.", "Eu sou a Hatsune Miku.", "Eu sou Elsa de Frozen.", ou eu sou o personagem que estou vestindo hoje e que passei meses preparando.

Os cosplayers estão acostumados a ver emissoras de TV e veículos da internet invadirem os eventos para produzir matérias e pegar imagens suas, que chamam bastante atenção e são ótimas pautas para os veículos.

No Anime Friends deste ano isto não foi diferente. Milhares de matérias e coberturas sobre o evento foram produzidas, inclusive a que motivou esta postagem que você está lendo aqui.

O site UOL postou nesta sexta-feira (21/8) um vídeo com o título "Cosplay: adolescente que se fantasia demais tem problema de identidade?" e que vem ganhando atenção tanto da comunidade cosplayer brasileira, quanto de admiradores do hobby e as pessoas que o realizam.




No vídeo, vários cosplayers dão depoimentos sobre como se sentem ao vestirem seu cosplay e irem para o evento, são diversas pessoas falando sobre suas experiências com o cosplay, e experiências boas!

Se você assistir o vídeo sem ler o título, fica parecendo que o vídeo é sobre como você se sente quando usa cosplay, mas o que os cosplayers não sabiam, era que a pauta não tinha esse direcionamento.

Após alguns entrevistados e imagens, duas profissionais, uma psicóloga e uma psicanalista, falam sobre identidade e sobre como o cosplay pode ser um fator desintegrador na personalidade de um adolescente e que como isso pode se tornar algo negativo quando a pessoa passa a esquecer quem é para ser o personagem que está vivendo em questão.

Algumas considerações que podem ser feitas sobre estas afirmações são:

- Muitas pessoas que fazem cosplay não são mais adolescentes, são pessoas mais velhas que já tem estabilidade e personalidade muito bem definida.

- No vídeo dá a entender que o adolescente pode perder sua identidade por viver demais um "outro eu", que seria o personagem. Mas a psicóloga e a psicanalista esquecem, ou desconhecem que a maioria das pessoas não faz cosplay de um único personagem, então como iria se apegar à personalidade dele e se transformar?

- Cosplay não é teatro, se fosse, os nomes não seriam diferentes. Apesar de existirem competições onde a atuação é necessária, não há uma preparação semelhante a um ator que irá ficar em cartaz por meses, e que é esperado total comprometimento com o personagem. Cosplay é diversão, tem gente que nem em palco sobe para competir.

- Os atores adolescentes devem sofrer do mesmo mal, já que vivem outras identidades em seus papéis seja na TV ou teatro.

E sabe o que é mais grave?

A pauta não foi apresentada aos cosplayers, mesmo se não houvessem fontes que confirmem isso, para quem é cosplayer, fica claro que todos no vídeo falavam sobre a paixão de fazer cosplay e de como se sentiam ao usar suas roupas e se tornarem os personagens, e não sobre ter problemas de identidade.

A cosplayer Lívia Jurkowitsch foi uma das entrevistadas e compartilhou a postagem demonstrando indignação com o resultado da reportagem.

"Dois repórteres me abordaram, foram muito educados e simpáticos e me perguntaram se eu podia responder algumas perguntas, mas logo na segunda, eu já notei que o cara queria achar algum problema psicológico em mim", contou a cosplayer Lívia Jurkowitsch, que estava fantasiada de Viúva Negra, personagem da Marvel e foi uma das entrevistadas pelo site.

Lívia já havia percebido que havia algo diferente da proposta de pauta apresentada pelo repórter, mas como nada havia sido apresentado, continuou a entrevista e quando viu o vídeo final não ficou nada satisfeita.

"Agora que eu vi a matéria eu vejo que ele conseguiu! Eles tiraram as partes na qual eu falei que o cosplay é algo muito bom e criativo. Em nenhum momento a pauta, nem as perguntas sobre a matéria foram apresentadas. Os cosplayers não estavam sabendo que tipo de matéria era essa! Pois tenho certeza que, assim como eu, se soubessem não teriam participado."

Então, segundo a matéria, você que ama ser o personagem que está vestindo e se vê parecido com ele, tem problemas de identidade, okay?

Não!

Sobre o depoimento da psicóloga e psicanalista é até compreensível o que dizem se estiverem pensando em casos extremos, ou talvez, se não tiverem sido apresentadas devidamente sobre o que é o hobby do cosplay, assim como os entrevistados não foram informados sobre o direcionamento da pauta.

É interessante observar a falta de conhecimento e pesquisa sobre o assunto quando uma delas diz "Não há preparo, eu me visto e já virei a heroína." Mal sabe ela a quantidade de preparo, não só da roupa, que existe até o dia de usar o cosplay.

Mas o que é preocupante é um repórter que faz perguntas tendenciosas e que já chega em um evento com uma ideia pré-concebida sobre algo que desconhece e que não se deu o trabalho de pesquisar sobre.

É uma falta de ética apresentar uma proposta e entregar algo totalmente distorcido e que causa revolta tanto para quem foi entrevistado, quanto para quem conhece e assiste.

A matéria foi montada de uma maneira que os cosplayers parecem ser pessoas que apresentam problemas de identidade e tem sérios riscos de desenvolver distúrbios de personalidade por irem a eventos e vestir-se de personagens que gostam e admiram.

Afirmações dos cosplayers foram colocadas fora de contexto e um "Cosplay é como uma válvula de escape para mim." dito pela Débora Fuzeti, junto com os depoimentos da psicóloga e psicanalista não parece ser um espape da correria do dia-a-dia ou qualquer outro motivo que a cosplayer tenha, mas um escape da realidade no pior sentido.
Débora Fuzeti. Foto: Reprodução/Tumblr

"Eu pensei que era uma entrevista séria e conversei com o repórter com a maior simpatia e boa vontade. Fizeram perguntas sobre personalidade, vi que estavam com uma ideia bem errada do que o hobby significava pra mim e expliquei certinho que eu tenho uma vida, que eu estava ali com aquele personagem porque era um evento para isso, que nos divertíamos e como podíamos interpretar outro personagem", disse Fuzeti.

"Era um escape do stress do trabalho e da vida cotidiana, eu estava ali vestida daquele jeito e brincando com todo mundo mas eu iria pra casa, e no dia seguinte tomaria meu cafe e iria trabalhar/estudar, assim como todo mundo que estava ali", completou a cosplayer que teve sua imagem usada como capa do vídeo, sendo compartilhada pelas redes sociais.

"É a minha imagem lá [na capa do vídeo] e eles falando que eu tenho transtorno de personalidade. Em nenhum momento disseram que cortariam tudo que eu disse e denegririam minha imagem."

No vídeo ainda se fala de auto-aceitação e auto-estima, como se interpretar os personagens durante os eventos fizesse com que os cosplayers quisessem ser apenas o personagem e não se achassem bons o suficiente a ponto de ter que se fantasiar para se sentir bem.

Mal sabem a psicóloga e psicanalista que muitos fazem cosplay pelo motivo contrário.

Alexandre Teixeira.
Foto: Ricardo Yagi
O Alexandre Teixeira fala sobre os benefícios que o cosplay trouxe em sua vida e como o hobby o estimula positivamente encontrar até novas amizades.

"Acho que o principal motivo de eu ter começado a fazer cosplay, foi pelo fato de querer perder a vergonha. Se você consegue andar por um evento usando um vestido rosa, botas e uma peruca cinza de cachos, você com toda a certeza irá conseguir perder a vergonha aos poucos", disse o cosplayer.

"Também tem a questão da interação que se tem com outras pessoas. Porque sempre alguém vai te parar para pedir uma foto, ou comentar sobre o personagem que você esta usando e é justamente nesses momentos que você acaba fazendo amizades, conhecendo gente nova e deixando a vergonha de lado, como foi o meu caso."

"Quando comentaram que cosplay diminuía a autoestima eu fiquei indignada porque eu, assim como vários outros cosplayers, tivemos exatamente a experiência contrária. Pratico o hobby desde 14 anos de idade e isso ajudou muito com minha timidez na época. Lembro que subi no palco pela primeira vez em 2012 com o coração na mão, mas ainda assim subi e participei do desfile assim como os outros participantes. Eu senti como se tivesse rompido uma barreira e achei incrível." afirmou Andressa Souza.

"Hoje em dia eu participo dos desfiles com muito menos nervosismo, porém
Andressa Souza.
Foto: Antony Evans
mesma empolgação. Por causa dessa experiência eu hoje consigo falar em público muito melhor. Já fiz palestra em um evento e a experiência foi maravilhosa. Tudo isso graças ao hobby. Atualmente estou cursando psicologia, tenho um noivo, vou casar no final do ano e como isso seria possível se meu mundo girasse apenas em torno de cosplay?" continua Souza.

"Quem acredita que passamos sete dias por semana confeccionando roupas está muito errado. Muitos de nós inclusive termina os acessórios na noite anterior ao evento porque não da tempo de fazer isso antes. Muitas vezes já deixei de fazer um cosplay porque o ritmo da faculdade ou da escola estava muito intenso. Minha identidade não se mistura com a de nenhum personagem.", completa a cosplayer.

Quem é cosplayer sabe muito bem que viver aquele personagem que tanto gosta é uma sensação maravilhosa. Poder ser, por um dia, um personagem que você, e tantos outros admiram, é divertido demais.

Esse vídeo abaixo da Adriana Buchele só tem verdades:

Sobre a matéria da Uol referente a cosplay! Meu video dizendo o que eu acho kkkk Sem maquiagem sem edição.

Então vamos prezar pelas nossas identidades como cosplayers e mostrar que não existe problema nenhum em curtir esse hobby.

Lembram daquele viral no Facebook de 8 cosplays 1 selfie?

Vamos compartilhar com a hashtag #identidadecosplay e mostrar que cosplay não tem nada a ver com esse vídeo!

Sou Ana Luiza Bélico e essa é uma parte da minha #IdentidadeCosplay com muito orgulho!
Foto de capa: Lívia Jurkowitsch. Foto: Fabricio Modesto Dolci

14 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Uma observação sobre o tópico a baixo, mais um acrecimo ;) .
    - Cosplay não é teatro, se fosse, os nomes não seriam diferentes. Apesar de existirem competições onde a atuação é necessária, não há uma preparação semelhante a um ator que irá ficar em cartaz por meses, e que é esperado total comprometimento com o personagem. Cosplay é diversão, tem gente que nem em palco sobe para competir.

    Mesmo um ator que ficar meses e meses em cartaz com um espetáculo, não deixa o personagem tomar conta de si, ainda mais que tem vários atores que vivem varios personagens ao mesmo tempo, podem fazer um personagem no teatro, outro em filmes, outro em "eventos de cosplay..." enfim, eles podem viver vários ao mesmo tempo e mesmo assim não os deixa tomar conta de seu corpo ou da sua mente. Sou ator a 14 anos e já vivi 5 personagens de uma só vezes e nenhum tomou conta da minha personalidade, peço que essas senhoras que estudem um pouco mais sobre interpretação de personagem, para assim pode soltar tais argumentos em um vídeo tão abrangente como essess da UOL!

    Obrigado pelo espaço Ana Luiza Bélico.

    Atenciosamente Cleyton Alves.

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    1. Oi Cleyton! Claro! Você está certíssimo! Eu não quis generalizar sobre os atores, mas também não quis entrar nesse assunto, primeiro porque não sou atriz e segundo porque o texto já estava graaaande!

      Também sei que um ator não vai se deixar tomar por causa da sua dedicação na atuação, só quis diferenciar uma coisa da outra, porque as duas profissionais falaram como se fosse a mesma coisa.

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    2. Opá! Boa noite Ana! Com toda certeza, entendi totalmente sua explanação sobre o assunto, e eu tinha acrescentar mais algo, porque realmente essa matéria foi algo que me chateou bastante, não "só" pelo fato de desmerecer a classe, mas ainda terem a capacidade de cortar as falas e usarem as partes que lhes convêm.

      Enfim, mais uma vez obrigado pelo espaço e continuaremos defendendo esse nosso hobby tão saudável.

      Abraços atenciosos! Cleyton Alves

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  3. A matério do uol, Totalmente , inteiramente R I D Í C U L A ! tendenciosa, cheio
    de estereótipos com uma visão alienada! um mostra somente UM LADO da situação e toma caso isolado como regra! Feitos por pessoas despreparadas que nem ao menos se deu o trabalho de saber o que é
    COSPLAY! como se cosplay fosse praticado somente por adolescentes alienados! a psicológica falar " O COSPLAY NÃO FAVORECE A INTEGRAÇÃO"
    Senhora pode rasgar o seu diploma
    Cosplay é uma atividade cultural realizados que
    MAIS FAVORECE A INTEGRAÇÃO! a SOCIALIZAÇÃO!
    Através desta prática fazemos amigos!
    Infelizmente "alguns cosplayers " casos isolados, e não REGRAS... pode acontecer por falta de informação, de bagagem cultural, pode ignorar a realidade e ter algum problema se sentir dentro do personagem. ou algum problema do tipo.
    Mas na GRANDE ESMAGADORA maioria o cosplay é realizado por pessoas CULTAS, como alguns amigos meus profissionais de TODAS AS ÁREAS, Designers, Médicos, Advogados, Psicólogos, professores que praticam o cosplay . Assim como eu realizo cosplay em eventos de cultura pop, para trabalhos para GRANDES empresas que estão VALORIZANO o cosplay! e tem as pessoas que fazem ações de Filantropia! usando o cosplay em ações para crianças com cancer em Hospitais!
    Sério me da MUITA VERGONHA quando eu vejo matérias mal editadas assim que parece que o cosplayer levante de manha coloca e cosplay e sai para comprar Pão na padaria de Cosplay achando que é o super homem!
    Fico com vergonha também do depoimento de "ALGUNS COSPLAYERS" que poderia ter uma ÓTIMO oportunidade de falar algo LEGAL sobre o cosplay, os Benefícios do cosplay, só falar MERDA!
    Resumindo L A M E N TÁ VEL! é isso que me da mais forca para cada vez mais LUTAR CONTRA ISSO! PARABENS PELO SEU POST!

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    1. Muito obrigada! Entendo perfeitamente o seu desabafo, esse post causou muita indignação.

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  4. Fiquei super indignado com essa entrevista.. Por que vocês não processam por difamação ? Afinal, utilizaram suas imagens para uma proposta totalmente diferente e até ofensiva !

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    1. Somente quem participou do vídeo pode tomar alguma atitude, o máximo que podemos fazer é levar nossa indignação para o site UOL. Concordo com você...indignação total!

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  5. Eu fico imaginando a opinião deles sobre os rps.

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  6. Eu ainda estou tentando entender, o que levou o UOL a permitir uma pauta tão tosca assim?
    Eu não sou nem conheço nenhum cosplayer, mas de longe são a comunidade mais inofensiva já criada, até onde eu sei vocês só gostam de se fantasiar como seus personagens preferidos e só.
    Não consigo enxergar aonde o UOL queria chegar.

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    1. Audiência. Só os cosplayers revoltados já dobraram aquela joça

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  7. Em uma breve busca sobre as duas profissionais da matéria encontrei apenas sites do LinkeDin e perfis incompletos do google e facebook. Isso deixa a impressão que são meras atrizes fazendo o que uma prestadora de maus serviços pede.

    A UOL como sempre é sensacionalista. O que ela quer são acessos. As pessoas entrevistadas receberam perguntas diretas e deram respostas diretas. As perguntas foram apagadas dando ideia que as pessoas são problemáticas. Em resumo, não deem audiência a esse lixo. Isso não é matéria construtiva, não é nem matéria lógica, é apenas marketing próprio.

    Quanto aos entrevistados, façam sua parte. O nome de vocês foi vinculado é problemas mentais e neuras sociais. Abram um processo contra esses malditos. Só assim eles aprendem a não mexer com um entretenimento sadio, divertido e acima de tudo cultural.

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  8. http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/erratas/2015/08/25/uol-noticias-e-tv-uol-reportagem-sobre-cosplay.htm

    Merecidamente um pedido de desculpas.

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  9. essa reportagem me lembrou esta música
    "Is this the real life? Is this just fantasy? Caught in a landslide. No escape from reality. Open your eyes. Look up to the skies and see"

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